terça-feira, 2 de julho de 2019

Amanhã há de ser outro dia






É exatamente uma das primeiras certezas que tenho quando faço avaliação deste primeiro semestre. Acharia muito estranho alguém não ter dado uma surtada mínima que fosse, principalmente no momento atual que estamos vivendo. Olha, como psicóloga, super recomendo esses minis surtos, é uma excelente forma extravasarmos todas nossas inquietações, preocupações e angústias. A sensação pós-surto nos permite uma sensação de alívio, de reflexão e favorece seguirmos a receita do saudoso Raul Seixas de misturarmos nossa maluquez com a nossa lucidez. Já que é para passar raiva todos os dias, que seja buscando nosso ponto equilíbrio, nosso ideal de maluco beleza.Rsrsrs!
Foi semestre muito atípico para mim, devido o clima pesado que se instaurou no país, que se configurou uma ameaça real as universidades, então, resolvi fazer algo diferente nesse primeiro ano de doutorado, algo que inclusive muitos acharam que seria uma loucura: cursar 3 disciplinas optativas e uma obrigatória. Eu senti uma imensa necessidade de estar mais próximas de colegas e professores de outros programas, não só pelo conhecimento, mas pela necessidade de me sentir mais fortalecida. Eu lembro que uma colega me perguntou " Você vai pegar essas disciplinas sozinha, sem conhecer ninguém?" e eu prontamente respondi: Eu não tô sozinha, sou de outro programa, mas somos todos UFBA.


Programa de Pós - Graduação em Difusão do conhecimento/ Disciplina Natureza da Criatividade




Programa de Pós - Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo/Disciplina Relações de gênero e Saúde Mental.




Programa de Pós- Graduação em Psicologia/ Disciplina Metodologia de Pesquisa
E foi uma das melhores loucuras que já fiz, foi tudo muito intenso, muitos trabalhos, mas extremamente recompensador adquirir conhecimentos acadêmicos de áreas distintas, mas para além disso, vivenciar sobre a escola da vida com pessoas diferentes, com histórias diferentes, mas com as mesmas insatisfações que tendem a permanecer nos assolando daqui para frente, mas com aquela convicção que seguiremos unidos e fortalecendo uns aos outros.

Programa de Pós - Graduação em Educação/ Disciplina Educação, Comunicação e Tecnologias.

Mas eu gostaria de fazer um agradecimento especial a turma que mais me fez dar gargalhadas durante todo o semestre, que mesmo já cansada de uma manhã inteira de aula, foram capazes de renovar minhas forças para que ficasse até o final. Primeiramente, agradecer a Bonilla pelo acolhimento, pelo bom-humor de sempre, por todo aprendizado proporcionado através dos textos, das discussões em sala, mas principalmente pelos "puxões de orelha", nos dando uma sacudida mais que necessária, nos convocando para a nossa responsabilidade como pesquisadores e como cidadãos. Tenho um imenso carinho e admiração pela professora e pessoa que você é, e pelo seu jeito aguerrido, imagino que seja típico dos gaúchos!Rsrsrs!
Meus queridos colegas! Como vocês são lindos! Obrigada por todo aprendizado, por todas as dicas e toques no meu processo de adaptação na disciplina. Uma professora minha sempre dizia que cada fala de um aluno é uma aula. Obrigada por cada aula que vocês me deram através de suas vivências pessoais ou profissionais! Vocês são sensacionais!
Obrigada galera da cozinha por toda bagunça que vocês fizeram! Obrigada Beth pela companhia, foi uma satisfação ter por perto uma mulher maravilhosa como você! Obrigada Neinha e Jaqueline por toda doçura! Obrigada Izis por todo seu carinho! Obrigada querido Davi pela parceria no seminário! Obrigada Danillo pela paciência e parceria no artigo, que sigamos em busca da unidade. Obrigada a cada um de vocês por tudo! Estarão sempre no meu coração!

Sigamos firmes na luta e convictos que "amanhã há de ser outro dia."
Abraços e até breve!

Apesar de você - Chico Buarque

"Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa ."


terça-feira, 18 de junho de 2019

Aurora da rua brilhando nas redes sociais: considerações sobre pessoas em situação de rua

A respeito do direito à comunicação destacado por Bonilla e Pretto (2014), os autores trazem as discussões levantadas no mundo e no Brasil acerca da centralização do poder das telecomunicações que impõe suas regras sem uma maiores intervenções do governo, ocasionando um serviço caro e de baixa qualidade para a população com menor renda. Assim, defende-se o direito à comunicação a partir de duas visões. A primeira, destaca a comunicação como uma "evolução dos direitos à liberdade de expressão e informação" (p.7) sendo compreendida como um direito universal. A segunda, refere-se a promoção de direitos partindo do princípio de uma sociedade marcada "por desigualdades sociais,  por preconceitos e pela violação constante dos direitos básicos dos cidadãos (p.7)". Sendo assim, os autores consideram as redes sociais digitais como um meio de mobilizar e articular lutas que sejam significativas para os cidadãos.
Levando em consideração estes aspectos, passei a refletir sobre o jornal "Aurora da rua". Criado em 2007 pelo religioso Henrique da Trindade, além do jornal, ele abriga os moradores de rua em uma igreja abandonada localizada na Calçada. A finalidade do jornal é dar visibilidade as pessoas em situação de rua, já que são estigmatizados pela sociedade.Desse modo, as pessoas em situação de rua além de serem os personagens do jornal, eles participam ativamente na elaboração e produção do conteúdo, através das oficinas de texto de arte. Os próprios moradores de rua vendem o jornal a um custo de R$ 1,50, sendo que R$1,00 fica com eles, o restante é usado para pagar os custos e manutenção da publicação.

 A grande questão é todo esse trabalho desenvolvido tem  todas as suas atividades divulgadas no site, no Facebook e no Instagram.



@auroradaruaoficial 

 Desse modo, torna-se possível para os moradores de rua produzir e compartilhar seus conhecimentos, reivindicar seus direitos através nas redes sociais, permitindo que as pessoas também tenham a oportunidade compreender o universo das ruas e entender que a realidade destes não estão restritas apenas as ruas, praças e calçadas.
Perceber esses aspectos é de fundamental importância, pois remete ao Marco Civil da Internet no que se refere ao direito à comunicação. Apesar das nuances e possíveis instabilidades envolvendo a sua construção, o PL é a alternativa para a garantia da liberdade, do acesso amplo e economicamente acessível principalmente para aqueles que estão a margem da sociedade.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Nativo e imigrante digital: de quem estamos falando?

Quem foi criança nas décadas de 80 e 90 como eu, certamente vão lembrar das provas mimeografadas que chegavam as nossas mãos ainda quentes e com cheiro álcool. A professora escrevia no quadro negro os assuntos do dia, as tarefas para fazer na escola e as tarefas de casa. Quadro que muitas vezes foi utilizado, por nós, alunos, para brincarmos de jogo da velha na hora do recreio, principalmente em dias chuvosos como hoje.



C:\Users\Luiz Henrique\Desktop\download.jpg
 
 Era comum ter sempre uma enciclopédia em casa ou ir às bibliotecas pesquisar assuntos que as professoras pediam para fazermos trabalhos da escola. Copiar exatamente tudo que estava nos livros em folhas de papel pautado, colar gravuras, utilizar letreiros ( ou na mão grande mesmo) e decorar as letras com hidrocor e glitter. Do mesmo modo, fazíamos com trabalhos feitos com cartolina e papel metro e sempre que possível acrescentávamos o papel crepom, é claro.

Obviamente que crianças de hoje não terão a possibilidade de ter um prova mimeografada, nem escrever em um quadro negro, do mesmo modo que, não tivemos acesso as tecnologias utilizadas no tempo dos nossos avós mas, compreendo que tecnologias desenvolvidas em diferentes momentos ao longo da história da humanidade tiveram sua importância para em suas respectivas épocas.
 Considero importante termos memórias do quanto essas tecnologias foram úteis, porém, acho importante vislumbramos o quanto as tecnologias avançaram que até aqui, sem desconsiderá-las por conta do nosso saudosismo. Algumas deixaram de existir, algumas foram aprimoradas com o tempo e com ela a inventividade do ser humano se aprimora. Foram essas sensações iniciais que o texto de Serres (2013) despertou em mim, quando parece ter um certo saudosismo, acompanhado de uma olhar para o futuro. 
Quando ele se refere ao termo "Polegarzinha" acredito que expressa metaforicamente o uso tecnologias digitais, principalmente por crianças associando o modo como digitam usando os dedos polegares. Obviamente, que o termo utilizado não está restrito apenas ao utilização dos dedos, mas o autor traça uma perspectiva que com o uso dos celulares, o mundo cabe na palma da mão e com isso eles " não habitam mais no mesmo espaço" (p.19), pois podem ter acesso a todos os lugares, consequentemente, ocasionando modificações no paradigma educacional, principalmente sobre o espaço da aprendizagem. Para o autor, o conhecimento estava concentrado em um lugar: em livros, dicionários, enciclopédias, na biblioteca etc. Atualmente “todo esse saber, essas referências, esses textos, esses dicionários se encontram […] distribuídos por todo lugar, na sua própria casa” (p.26).
Não discordo do autor sobre estes aspectos, mas por outro lado, não acho que as tecnologias digitais sejam determinantes para tais mudanças que acontecem na sociedade e na educação, visto que muitos ainda não têm acesso as tecnologias. Então, fiquei me questionando:
 "Polegarzinha" é um termo que se aplica a todas as crianças?  Será que o termo "Polegarzinha" não pode ser vinculado a outras faixas etárias?
As minhas inquietudes partem principalmente quando estabeleço um comparativo de como se sucede o acesso as tecnologias entre as pessoas do bairro onde moro, para o bairros de classe média, por exemplo. Como disse na reação anterior, transito por esses bairros e percebo a diferença não apenas sobre o acesso das tecnologias digitais, mas a finalidade e tipos de conteúdos que acessam. É muito claro que crianças das periferias têm pouco acesso, porque grande parte delas utilizam pacote de dados móveis de internet que logo se esvai, diferente das crianças de classe média que têm acesso a WiFi e maiores possibilidades de adquirir conhecimento.
Do mesmo modo, adultos e idosos de distintas classes sociais possuem modos distintos de acesso. Como já relatei anteriormente, adultos e a maioria dos idosos do bairro onde moro utilizam celulares apenas para conversas no Whatsaap, enquanto pessoas da mesma faixa etária, de classe média que tenho convívio, definitivamente me botam no chinelo quando o assunto envolve tecnologias digitais. 
Perceber essas questões recai no ponto destacado por Morales (2018) onde estabelece um debate sobre concepções trazidas por Tapscott e Prensky que associam o marco geracional como fator determinante no uso das tecnologias, ou seja, os nascidos na era digital são mais aptos e habilidosos no uso das tecnologias. Morales (2018) desconstrói a perspectiva trazida pelos autores destacando que os pertencentes a uma geração mais contemporânea não determina se um indivíduo será tipicamente um nativo digital, mas sim,  as condições socioeconômicas, educacionais e culturais. Dessa forma, a autora contribui de forma significativa para a desconstrução de estereótipos de que apenas os mais jovens possuem competências necessárias para lidar com as tecnologias digitais.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Inclusão e letramento digital para idosos da periferia: uma perspectiva inexistente

Escrever uma reação sobre a questão da inclusão digital e letramento, para mim, foi a mais difícil até o momento. Ao terminar a leitura dos textos, a impressão que tive é que não tinha o que dizer sobre as temáticas em questão, é como se faltasse ideias e palavras e não tenho uma explicação plausível para entender o que aconteceu. Talvez porque não lide diariamente com os assuntos por ser de outra área, mas aí eu pensei: não...não é isso porque até aqui não tive dificuldades extremas para acompanhar a disciplina. Ou talvez, por exigir de mim uma reflexão mais profunda sobre questões que acontecem diariamente no contexto que faço parte, enfim, apenas suposições...
Como já falei na reação anterior, moro em bairro periférico (cidade baixa), e como me desloco constantemente da periferia para o centro, percebo diferenças nos hábitos das pessoas no que diz respeito ao acesso as tecnologias digitais, principalmente quando se trata de idosos. 
Nos bancos aqui da região, por exemplo, os caixas eletrônicos costumam ficar vazios porque é notório que eles não sabem utilizá-los, enquanto na boca do caixa, formam filas imensas para serem atendidas, inclusive antes dos bancos abrirem.
Um outra questão, é a permanência das lan houses. Locais que há uns dez anos mais ou menos, era possível encontrar em cada esquina da cidade, há quem acredite que elas foram extintas, mas não é verdade. Por aqui, ainda tem algumas e são locais que oferecem vários tipos de  serviços como consulta ao SPC, segunda via de contas, acesso à internet para outras finalidades, acesso a jogos etc. São locais que costumam ficar cheios e isso deixa claro que a falta de conhecimento levam esses idosos a procurarem esses locais porque embora alguns possuam celular, mas o máximo que conseguem utilizar é a mensagem de áudio aplicativo Whatsapp. Na rua onde resido, sou uma das poucas pessoas que tem computador (desktop) notebook etc. Por conta disso, alguns vizinhos idosos me procuram para pedir diversos favores ( acompanhar requerimentos do INSS, do SUS, segunda via  de contas etc.) porque não tem dinheiro para ir a uma lan house.
Então, fiquei pensando sobre a importância da informatização das diversas instituições públicas e privadas pela facilidade de acesso aos serviços prestados por elas, através do uso de sites e aplicativos, mas em contrapartida, percebo o quanto os idosos das periferias acabam ficando às margens devido as dificuldades de acesso e do pouco conhecimento envolvendo as tecnologias digitais.Infelizmente pouco tem sido feito, ao que parece não há interesse do Estado em mudar essa realidade. Tal situação apenas retrata o quanto os idosos são historicamente marginalizados no nosso país, esse quadro ainda piora quando se trata da inserção das tecnologias digitais no seu cotidiano 
Embora algumas instituições filantrópicas como a LBV, por exemplo, ofereçam cursos de informática para idosos, não contempla a proposta de uma "inclusão digital" propriamente dita como é trazido por Bonilla e Oliveira (2011). Para os autores, a perspectiva da inclusão digital deve transcender a ideia de um treinamento sobre como utilizar recursos tecnológicos digitais, mas favorecer condições para que as pessoas sejam capazes de compreender a lógica digital  para que possam participar, produzir, questionar e transformar suas respectivas realidades. Do modo semelhante, o letramento digital consiste em uma série de fatores onde o sujeito seja capaz de adquirir, produzir e compartilhar conhecimentos no contexto que está inserido, compreendendo que letramento digital é muito mais do que ler e/ou escrever nas telas (SABILLÓN e BONILLA, 2016), obviamente não existe idade para que isso aconteça...




domingo, 26 de maio de 2019

Projeto Crianças Hackers

Quando ouvia falar em hackers, inevitavelmente, reportava-me a uma imagem negativa. Certamente pelos acontecimentos diários de ter conhecimento que sites de empresas, perfis de redes sociais costumam ser "hackeados". Por um outro lado, já li notícias de alguns anos atrás de hackers que, descobriram falhas graves no Facebook e foram recompensados por resolvê-los. Todavia, o termo ficava sempre confuso, ao que parecia, existia hackers do bem, então, a minha concepção sobre hackers do bem, estava atrelada a profissionais que fazem prestação de serviços para empresas, visão bem capitalista por sinal...Rsrs!
O meu processo de desconstrução do referido termo, teve início nesta disciplina, onde pude entender que existe a diferença entre hackers e crackers, e atualmente, começo a entender melhor toda uma conjuntura que perpassa pela ética hacker, através das discussões em aulas anteriores, e nos textos de Pretto (2010) (2017) que explicita de forma muito clara que a finalidade dos hackers é a produção e compartilhamento de conteúdos de forma livre e ilimitada, desenvolvendo novas funcionalidades ou adaptando criações antigas, inclusive produções inacabadas podem ser construídas por outras pessoas de forma colaborativa.
Então, ao me deparar com essa perspectiva muito interessante e diferente da concepção que tinha anteriormente, fiquei muito curiosa sobre a existência ou não de projetos de hackers voltadas para as comunidades periféricas, pois morei e ainda moro em bairro periférico e acho que seria muito importante o desenvolvimento de trabalhos como estes nessas localidades. Após realização de várias pesquisas, encontrei um projeto que me arrebatou de uma certa forma, o Crianças Hackers.


O site não informa claramente quando foi criado e se ainda está em funcionamento, pois as informações não estão atualizadas. Inclusive, o Prof. Nelson Pretto consta como um dos apoiadores, acredito que seja conhecido por estudantes e professores da Faced. 
Os principais objetivos do projeto Crianças Hackers são:

Promover encontros em que a curiosidade infantil seja a norteadora da aprendizagem do adulto e da criança;

Ampliar a visão das crianças em relação às tecnologias do cotidianos e tudo o que as rodeiam;

Favorecer o aprendizado colaborativo entre os participantes;

 Contribuir para disseminar a cultura do conhecimento livre. 




https://www.youtube.com/watch?v=A-nK1aGsR90

Achei uma excelente iniciativa dos idealizadores do projeto Cristiano Furtado (Engenharia da computação) e Karina Menezes (Pedagogia), em desenvolverem um projeto que ofereça as crianças a possibilidade de aprenderem a como construir ou reconstruir brinquedos, utilizando diversas tecnologias (digitais ou não) e promover socialização das crianças e adultos durante a realização das atividades. Adorei os brinquedos com as escovas dentes  e as bolas de soprar.Rsrs!
Agora imagina se as escolas públicas tivesse o suporte suficiente para desenvolver projetos nesse patamar, o quanto seria enriquecedor para os alunos? Enfim... mas voltando...
 É animador perceber que pessoas acreditam no potencial criativo das crianças, na sua relação com as tecnologias, de entenderem que são capazes de produzirem conhecimento, em tempos que adultos somente se dispõem a criticá-las quando a temática em questão é colocada.
Portanto, apesar de não ter apropriação sobre o tema, compreendo hoje de forma muito mais clara sobre a importância da cultura hacker, do quanto a difusão do conhecimento, a liberdade em produzí-lo, e a colaboração tem o potencial transformador em nossas vidas. Mais encantador ainda pra mim, poder estabelecer uma relação de proximidade com cultura hacker através do universo infantil.


Retirada do site: http://raulhc.cc/Projetos/CriancasHacker



domingo, 19 de maio de 2019

Formação docente e software livre



https://www.youtube.com/watch?v=IJY-NIhdw_4


Uma das primeiras coisas que me recordei durante a leitura do texto foi esse vídeo. Eu tive a oportunidade de assistí-lo durante a apresentação de uma colega, em uma disciplina, quando fazia o curso de especialização em Docência do Ensino Superior. Na época, ele chamou atenção porque suscitou uma discussão em sala de aula sobre o lado positivo da inserção das tecnologias digitais, todavia, o modo tradicional de ensino permanecer o mesmo. Algumas colegas, professoras da rede pública de ensino, demonstraram uma posição contrária ao uso das tecnologias digitais, afirmando que só atrapalharia sua relação com os alunos, porque tira do professor a autonomia e o papel de transmitir o conhecimento em sala de aula. É como se elas se sentissem desvalorizadas e os computadores fossem ocupar suas respectivas funções em sala de aula, revelava o incomodo sobre  a possibilidade de mudança de paradigma frente as tecnologias digitais. Além disso, afirmaram não ter muita facilidade em utilizar um computador e pareciam não ter interesse em modificar essa realidade.
Então, a professora informou que as tecnologias digitais apesar de torna-se um meio de transmissão de informação e não do conhecimento, não necessariamente substitui o papel do professor, mas sim o coloca na posição de mediador dessas informações adquiridas pelos alunos, para que possa torna-se de fato conhecimento. Deixou claro que era necessário o professor ressignificar o seu papel mediante as novas configurações colocadas pelas tecnologias digitais na atualidade. Elas argumentaram que dificilmente isso aconteceria porque nos laboratórios de informática, os computadores não funcionavam por estarem quebrados ou sem manutenção, e por conta disso, por exemplo, a professora de informática dava aulas teóricas em sala de aula devido a situação precária dos laboratórios de informática. Portanto, as condições precárias de trabalho, relacionadas aos equipamentos disponibilizados não pode ser desconsiderado nesse processo.
A situação descrita acima e as frequentes discussões em sala de aula, principalmente no seminário de Jaqueline e Izis, por exemplo, deixam claro a importância de uma maior atenção para a formação e preparação docente para lidar com as tecnologias digitais, ao invés de responsabilizá-los  como únicos capazes de modificar a realidade educacional. Alguns destes professores tem sua formação em magistério, período anterior a difusão das tecnologias digitais e, certamente, não tiveram, em seus cursos superiores ou nas escolas onde lecionam, a possibilidade de serem formados no uso das tecnologias digitais para a prática docente. Ainda assim, cabe destacar que se essa formação ocorre, pensar de que maneira ela tem sido feita, pois não trata-se meramente do professor aprender como utilizar um computador, pois a tecnologia sozinha não implica em solução para a educação, nem somente suprir as escolas com equipamentos tecnológicos, do contrário, a situação irá se repetir exatamente como retrata o vídeo acima. É preciso usá-los como recurso didático no intuito de favorecer tanto o ensino como o aprendizado através, da ampliação de estratégias pedagógicas para que torne possível um ensino crítico e transformador da realidade. O uso de software livre é uma das alternativas.
É nessa perspectiva, de alguns pontos trazidos até aqui que Bonilla (2012)  destaca que o computadores com programas de software livre, já é uma realidade nas escolas públicas brasileiras com a reformulação do PROINFO, todavia, a autora critica o modo como o software livre foi implantado nas escolas, bem como sobre a formação insuficiente dos professores, tanto na formação inicial, como na formação continuada, que não contempla as finalidades propostas desenvolvidas mundialmente em torno do uso do software livre relacionadas a educação. Em decorrência desses fatores, professores desconhecem as motivações do governo em adotarem tais práticas tecnológicas, desconhecem as funcionalidades e potencialidades desses sistemas e aplicativos.
 Desse modo, Bonilla (2012) propõe que o uso de software livre por professores transcenda a dimensão técnica, que a formação docente esteja alicerçada nos princípios que regem o software livre como o direito à liberdade, à criação, à cooperação e partilha do conhecimento. Assim, tais princípios  tem como finalidade ir de encontro a premissa da exclusão que estão relacionadas aos interesses monetários e ao poder de centralização da informação e  do conhecimento, porém, favorecer as construções de redes de produção e socialização mais livre, justa e solidária.
Para a autora, apenas através dos princípios do software livre é possível vivenciar premissas educacionais que estejam associados a uma sociedade democrática. É através desses princípios da educação formal e informal, que propiciará o protagonismo do cidadão para criar e produzir conhecimento, ao invés de ser meramente consumidor de informações. Além disso, favorece  a autonomia dos países em desenvolvimento em relação aos países mais desenvolvidos que possui um maior aparato tecnológico.

domingo, 5 de maio de 2019

Tecnologia Assistiva e estudantes das instituições de ensino superior

Ao me deparar com a temática dessa semana "Tecnologia Assistiva" nos textos de Galvão Filho (2013) e Bersch (2017), passei a fazer algumas reflexões sobre com essas tecnologias estão presentes no cotidiano, mas que pouco paramos para discutir sobre a importância delas para pessoas com deficiência no ambiente acadêmico. Parto da realidade da minha formação profissional como psicóloga, pois embora seja uma profissão que preza pela empatia, respeito as diversidades e as diferenças, em apenas uma disciplina da graduação tive a oportunidade de conhecer e discutir um pouco das leis que regem os direitos das pessoas com deficiência.
Após a leitura dos textos, lembrei que no período da graduação tinha uma colega com baixa visão. Não lembro exatamente o nome da sua enfermidade, mas recordo que tratava-se de um problema congênito e que gradativamente perderia totalmente a visão. Então, atentando para a realidade dela, percebia a sua dificuldade em acompanhar as aulas, no sentido que costumava fazer anotações, no entanto, como não enxergava tão bem, passava a maior parte das aulas com o rosto praticamente debruçado sobre o caderno para escrever. Por conta disso, um professor por não ter notado seu problema, fez um comentário inconveniente sobre sua postura: "Porque você fica com o rosto colado no caderno? Por um acaso você é cega?"
Ela não teve reação para responder sua pergunta porque foi constrangedor para nós, imagina para ela. Então, os colegas explicaram para ele sobre sua deficiência e aparentemente envergonhado pediu desculpas.
Ela costumava usar as ferramentas de facilidade de acesso (lupa e narrador) presentes no computador, para ajudar nos seus estudos, mas somente em casa ou no laboratório de informática da universidade, já que naquele tempo, apenas que tinha alto poder aquisitivo poderia ter um notebook, pois era muito caro. Além disso, a colega sempre enfrentava problemas em dias de prova, pois praticamente todos os professores e a coordenação do curso esqueciam que sua prova deveria ser em tamanho ampliado, então, ela sempre fazia as provas com certo atraso. Mas apesar de todas essas situações, ela sempre foi uma das melhores alunas da turma.
Possivelmente se tivesse acesso a informação a legislação da TA, poderia ter tido um melhor suporte em sala de aula, não apenas ela, mas também, a própria universidade que embora oferecesse todo aparato possível para os alunos, deixou a desejar na assistência das pessoas com deficiência. Situação destacada por Bersch (2017) sobre a importância de se obter uma orientação pública mais acessível que reúna informações necessárias para que as pessoas com deficiência reivindique seus direitos ao acesso a TA. A autora destaca também a importância de fiscalizar e pressionar o governo para que a lei seja cumprida, no entanto, o texto é de 2017. Atualmente, Bolsonaro extinguiu o CONADE ( Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência) enfraquecendo ainda mais as políticas públicas destinadas a este referido público, representando mais um dos retrocessos para as minorias, por retirar o direito a participação da sociedade civil.

https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-extingue-o-conselho-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia/

Certamente ações desse governo terá impacto na questão do direito a TA, que já tão pouco difundido. Desse forma, o CONADE tem buscado apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para que o CONADE não seja definitivamente extinto.

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/conade-pede-apoio-da-cdhm-para-impedir-extincao-de-conselhos-proposta-pelo-governo

Apesar da tentativa do governo em retirar os direitos das pessoas com deficiência, não se pode desconsiderar que estes têm um histórico de luta na busca por reconhecimento de direitos, na luta por espaços e visibilidade na sociedade. Não será agora após tantas conquistas que vão recuar. O direito ao acesso a TA e sua divulgação mais ampla, é uma causa a mais a ser reivindicada e exigida pelo governo.

Sobre a colega da época da graduação, atualmente está cursando o mestrado no Programa de Psicologia na UFBA, com mais acessibilidade por já ter um notebook que tem facilitado seus estudos. Segue tendo a serenidade e o bom desempenho de sempre.






Amanhã há de ser outro dia

É exatamente uma das primeiras certezas que tenho quando faço avaliação deste primeiro semestre. Acharia muito estranho alguém não t...