terça-feira, 18 de junho de 2019

Aurora da rua brilhando nas redes sociais: considerações sobre pessoas em situação de rua

A respeito do direito à comunicação destacado por Bonilla e Pretto (2014), os autores trazem as discussões levantadas no mundo e no Brasil acerca da centralização do poder das telecomunicações que impõe suas regras sem uma maiores intervenções do governo, ocasionando um serviço caro e de baixa qualidade para a população com menor renda. Assim, defende-se o direito à comunicação a partir de duas visões. A primeira, destaca a comunicação como uma "evolução dos direitos à liberdade de expressão e informação" (p.7) sendo compreendida como um direito universal. A segunda, refere-se a promoção de direitos partindo do princípio de uma sociedade marcada "por desigualdades sociais,  por preconceitos e pela violação constante dos direitos básicos dos cidadãos (p.7)". Sendo assim, os autores consideram as redes sociais digitais como um meio de mobilizar e articular lutas que sejam significativas para os cidadãos.
Levando em consideração estes aspectos, passei a refletir sobre o jornal "Aurora da rua". Criado em 2007 pelo religioso Henrique da Trindade, além do jornal, ele abriga os moradores de rua em uma igreja abandonada localizada na Calçada. A finalidade do jornal é dar visibilidade as pessoas em situação de rua, já que são estigmatizados pela sociedade.Desse modo, as pessoas em situação de rua além de serem os personagens do jornal, eles participam ativamente na elaboração e produção do conteúdo, através das oficinas de texto de arte. Os próprios moradores de rua vendem o jornal a um custo de R$ 1,50, sendo que R$1,00 fica com eles, o restante é usado para pagar os custos e manutenção da publicação.

 A grande questão é todo esse trabalho desenvolvido tem  todas as suas atividades divulgadas no site, no Facebook e no Instagram.



@auroradaruaoficial 

 Desse modo, torna-se possível para os moradores de rua produzir e compartilhar seus conhecimentos, reivindicar seus direitos através nas redes sociais, permitindo que as pessoas também tenham a oportunidade compreender o universo das ruas e entender que a realidade destes não estão restritas apenas as ruas, praças e calçadas.
Perceber esses aspectos é de fundamental importância, pois remete ao Marco Civil da Internet no que se refere ao direito à comunicação. Apesar das nuances e possíveis instabilidades envolvendo a sua construção, o PL é a alternativa para a garantia da liberdade, do acesso amplo e economicamente acessível principalmente para aqueles que estão a margem da sociedade.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Nativo e imigrante digital: de quem estamos falando?

Quem foi criança nas décadas de 80 e 90 como eu, certamente vão lembrar das provas mimeografadas que chegavam as nossas mãos ainda quentes e com cheiro álcool. A professora escrevia no quadro negro os assuntos do dia, as tarefas para fazer na escola e as tarefas de casa. Quadro que muitas vezes foi utilizado, por nós, alunos, para brincarmos de jogo da velha na hora do recreio, principalmente em dias chuvosos como hoje.



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 Era comum ter sempre uma enciclopédia em casa ou ir às bibliotecas pesquisar assuntos que as professoras pediam para fazermos trabalhos da escola. Copiar exatamente tudo que estava nos livros em folhas de papel pautado, colar gravuras, utilizar letreiros ( ou na mão grande mesmo) e decorar as letras com hidrocor e glitter. Do mesmo modo, fazíamos com trabalhos feitos com cartolina e papel metro e sempre que possível acrescentávamos o papel crepom, é claro.

Obviamente que crianças de hoje não terão a possibilidade de ter um prova mimeografada, nem escrever em um quadro negro, do mesmo modo que, não tivemos acesso as tecnologias utilizadas no tempo dos nossos avós mas, compreendo que tecnologias desenvolvidas em diferentes momentos ao longo da história da humanidade tiveram sua importância para em suas respectivas épocas.
 Considero importante termos memórias do quanto essas tecnologias foram úteis, porém, acho importante vislumbramos o quanto as tecnologias avançaram que até aqui, sem desconsiderá-las por conta do nosso saudosismo. Algumas deixaram de existir, algumas foram aprimoradas com o tempo e com ela a inventividade do ser humano se aprimora. Foram essas sensações iniciais que o texto de Serres (2013) despertou em mim, quando parece ter um certo saudosismo, acompanhado de uma olhar para o futuro. 
Quando ele se refere ao termo "Polegarzinha" acredito que expressa metaforicamente o uso tecnologias digitais, principalmente por crianças associando o modo como digitam usando os dedos polegares. Obviamente, que o termo utilizado não está restrito apenas ao utilização dos dedos, mas o autor traça uma perspectiva que com o uso dos celulares, o mundo cabe na palma da mão e com isso eles " não habitam mais no mesmo espaço" (p.19), pois podem ter acesso a todos os lugares, consequentemente, ocasionando modificações no paradigma educacional, principalmente sobre o espaço da aprendizagem. Para o autor, o conhecimento estava concentrado em um lugar: em livros, dicionários, enciclopédias, na biblioteca etc. Atualmente “todo esse saber, essas referências, esses textos, esses dicionários se encontram […] distribuídos por todo lugar, na sua própria casa” (p.26).
Não discordo do autor sobre estes aspectos, mas por outro lado, não acho que as tecnologias digitais sejam determinantes para tais mudanças que acontecem na sociedade e na educação, visto que muitos ainda não têm acesso as tecnologias. Então, fiquei me questionando:
 "Polegarzinha" é um termo que se aplica a todas as crianças?  Será que o termo "Polegarzinha" não pode ser vinculado a outras faixas etárias?
As minhas inquietudes partem principalmente quando estabeleço um comparativo de como se sucede o acesso as tecnologias entre as pessoas do bairro onde moro, para o bairros de classe média, por exemplo. Como disse na reação anterior, transito por esses bairros e percebo a diferença não apenas sobre o acesso das tecnologias digitais, mas a finalidade e tipos de conteúdos que acessam. É muito claro que crianças das periferias têm pouco acesso, porque grande parte delas utilizam pacote de dados móveis de internet que logo se esvai, diferente das crianças de classe média que têm acesso a WiFi e maiores possibilidades de adquirir conhecimento.
Do mesmo modo, adultos e idosos de distintas classes sociais possuem modos distintos de acesso. Como já relatei anteriormente, adultos e a maioria dos idosos do bairro onde moro utilizam celulares apenas para conversas no Whatsaap, enquanto pessoas da mesma faixa etária, de classe média que tenho convívio, definitivamente me botam no chinelo quando o assunto envolve tecnologias digitais. 
Perceber essas questões recai no ponto destacado por Morales (2018) onde estabelece um debate sobre concepções trazidas por Tapscott e Prensky que associam o marco geracional como fator determinante no uso das tecnologias, ou seja, os nascidos na era digital são mais aptos e habilidosos no uso das tecnologias. Morales (2018) desconstrói a perspectiva trazida pelos autores destacando que os pertencentes a uma geração mais contemporânea não determina se um indivíduo será tipicamente um nativo digital, mas sim,  as condições socioeconômicas, educacionais e culturais. Dessa forma, a autora contribui de forma significativa para a desconstrução de estereótipos de que apenas os mais jovens possuem competências necessárias para lidar com as tecnologias digitais.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Inclusão e letramento digital para idosos da periferia: uma perspectiva inexistente

Escrever uma reação sobre a questão da inclusão digital e letramento, para mim, foi a mais difícil até o momento. Ao terminar a leitura dos textos, a impressão que tive é que não tinha o que dizer sobre as temáticas em questão, é como se faltasse ideias e palavras e não tenho uma explicação plausível para entender o que aconteceu. Talvez porque não lide diariamente com os assuntos por ser de outra área, mas aí eu pensei: não...não é isso porque até aqui não tive dificuldades extremas para acompanhar a disciplina. Ou talvez, por exigir de mim uma reflexão mais profunda sobre questões que acontecem diariamente no contexto que faço parte, enfim, apenas suposições...
Como já falei na reação anterior, moro em bairro periférico (cidade baixa), e como me desloco constantemente da periferia para o centro, percebo diferenças nos hábitos das pessoas no que diz respeito ao acesso as tecnologias digitais, principalmente quando se trata de idosos. 
Nos bancos aqui da região, por exemplo, os caixas eletrônicos costumam ficar vazios porque é notório que eles não sabem utilizá-los, enquanto na boca do caixa, formam filas imensas para serem atendidas, inclusive antes dos bancos abrirem.
Um outra questão, é a permanência das lan houses. Locais que há uns dez anos mais ou menos, era possível encontrar em cada esquina da cidade, há quem acredite que elas foram extintas, mas não é verdade. Por aqui, ainda tem algumas e são locais que oferecem vários tipos de  serviços como consulta ao SPC, segunda via de contas, acesso à internet para outras finalidades, acesso a jogos etc. São locais que costumam ficar cheios e isso deixa claro que a falta de conhecimento levam esses idosos a procurarem esses locais porque embora alguns possuam celular, mas o máximo que conseguem utilizar é a mensagem de áudio aplicativo Whatsapp. Na rua onde resido, sou uma das poucas pessoas que tem computador (desktop) notebook etc. Por conta disso, alguns vizinhos idosos me procuram para pedir diversos favores ( acompanhar requerimentos do INSS, do SUS, segunda via  de contas etc.) porque não tem dinheiro para ir a uma lan house.
Então, fiquei pensando sobre a importância da informatização das diversas instituições públicas e privadas pela facilidade de acesso aos serviços prestados por elas, através do uso de sites e aplicativos, mas em contrapartida, percebo o quanto os idosos das periferias acabam ficando às margens devido as dificuldades de acesso e do pouco conhecimento envolvendo as tecnologias digitais.Infelizmente pouco tem sido feito, ao que parece não há interesse do Estado em mudar essa realidade. Tal situação apenas retrata o quanto os idosos são historicamente marginalizados no nosso país, esse quadro ainda piora quando se trata da inserção das tecnologias digitais no seu cotidiano 
Embora algumas instituições filantrópicas como a LBV, por exemplo, ofereçam cursos de informática para idosos, não contempla a proposta de uma "inclusão digital" propriamente dita como é trazido por Bonilla e Oliveira (2011). Para os autores, a perspectiva da inclusão digital deve transcender a ideia de um treinamento sobre como utilizar recursos tecnológicos digitais, mas favorecer condições para que as pessoas sejam capazes de compreender a lógica digital  para que possam participar, produzir, questionar e transformar suas respectivas realidades. Do modo semelhante, o letramento digital consiste em uma série de fatores onde o sujeito seja capaz de adquirir, produzir e compartilhar conhecimentos no contexto que está inserido, compreendendo que letramento digital é muito mais do que ler e/ou escrever nas telas (SABILLÓN e BONILLA, 2016), obviamente não existe idade para que isso aconteça...




Amanhã há de ser outro dia

É exatamente uma das primeiras certezas que tenho quando faço avaliação deste primeiro semestre. Acharia muito estranho alguém não t...