domingo, 19 de maio de 2019

Formação docente e software livre



https://www.youtube.com/watch?v=IJY-NIhdw_4


Uma das primeiras coisas que me recordei durante a leitura do texto foi esse vídeo. Eu tive a oportunidade de assistí-lo durante a apresentação de uma colega, em uma disciplina, quando fazia o curso de especialização em Docência do Ensino Superior. Na época, ele chamou atenção porque suscitou uma discussão em sala de aula sobre o lado positivo da inserção das tecnologias digitais, todavia, o modo tradicional de ensino permanecer o mesmo. Algumas colegas, professoras da rede pública de ensino, demonstraram uma posição contrária ao uso das tecnologias digitais, afirmando que só atrapalharia sua relação com os alunos, porque tira do professor a autonomia e o papel de transmitir o conhecimento em sala de aula. É como se elas se sentissem desvalorizadas e os computadores fossem ocupar suas respectivas funções em sala de aula, revelava o incomodo sobre  a possibilidade de mudança de paradigma frente as tecnologias digitais. Além disso, afirmaram não ter muita facilidade em utilizar um computador e pareciam não ter interesse em modificar essa realidade.
Então, a professora informou que as tecnologias digitais apesar de torna-se um meio de transmissão de informação e não do conhecimento, não necessariamente substitui o papel do professor, mas sim o coloca na posição de mediador dessas informações adquiridas pelos alunos, para que possa torna-se de fato conhecimento. Deixou claro que era necessário o professor ressignificar o seu papel mediante as novas configurações colocadas pelas tecnologias digitais na atualidade. Elas argumentaram que dificilmente isso aconteceria porque nos laboratórios de informática, os computadores não funcionavam por estarem quebrados ou sem manutenção, e por conta disso, por exemplo, a professora de informática dava aulas teóricas em sala de aula devido a situação precária dos laboratórios de informática. Portanto, as condições precárias de trabalho, relacionadas aos equipamentos disponibilizados não pode ser desconsiderado nesse processo.
A situação descrita acima e as frequentes discussões em sala de aula, principalmente no seminário de Jaqueline e Izis, por exemplo, deixam claro a importância de uma maior atenção para a formação e preparação docente para lidar com as tecnologias digitais, ao invés de responsabilizá-los  como únicos capazes de modificar a realidade educacional. Alguns destes professores tem sua formação em magistério, período anterior a difusão das tecnologias digitais e, certamente, não tiveram, em seus cursos superiores ou nas escolas onde lecionam, a possibilidade de serem formados no uso das tecnologias digitais para a prática docente. Ainda assim, cabe destacar que se essa formação ocorre, pensar de que maneira ela tem sido feita, pois não trata-se meramente do professor aprender como utilizar um computador, pois a tecnologia sozinha não implica em solução para a educação, nem somente suprir as escolas com equipamentos tecnológicos, do contrário, a situação irá se repetir exatamente como retrata o vídeo acima. É preciso usá-los como recurso didático no intuito de favorecer tanto o ensino como o aprendizado através, da ampliação de estratégias pedagógicas para que torne possível um ensino crítico e transformador da realidade. O uso de software livre é uma das alternativas.
É nessa perspectiva, de alguns pontos trazidos até aqui que Bonilla (2012)  destaca que o computadores com programas de software livre, já é uma realidade nas escolas públicas brasileiras com a reformulação do PROINFO, todavia, a autora critica o modo como o software livre foi implantado nas escolas, bem como sobre a formação insuficiente dos professores, tanto na formação inicial, como na formação continuada, que não contempla as finalidades propostas desenvolvidas mundialmente em torno do uso do software livre relacionadas a educação. Em decorrência desses fatores, professores desconhecem as motivações do governo em adotarem tais práticas tecnológicas, desconhecem as funcionalidades e potencialidades desses sistemas e aplicativos.
 Desse modo, Bonilla (2012) propõe que o uso de software livre por professores transcenda a dimensão técnica, que a formação docente esteja alicerçada nos princípios que regem o software livre como o direito à liberdade, à criação, à cooperação e partilha do conhecimento. Assim, tais princípios  tem como finalidade ir de encontro a premissa da exclusão que estão relacionadas aos interesses monetários e ao poder de centralização da informação e  do conhecimento, porém, favorecer as construções de redes de produção e socialização mais livre, justa e solidária.
Para a autora, apenas através dos princípios do software livre é possível vivenciar premissas educacionais que estejam associados a uma sociedade democrática. É através desses princípios da educação formal e informal, que propiciará o protagonismo do cidadão para criar e produzir conhecimento, ao invés de ser meramente consumidor de informações. Além disso, favorece  a autonomia dos países em desenvolvimento em relação aos países mais desenvolvidos que possui um maior aparato tecnológico.

2 comentários:

  1. A formação de professores para o trabalho com as tecnologias digitais na escola é fundamental, mas não é o único fator que interfere nesse complexo processo. Em minha tese de doutorado levanto outros, que são tão importantes quanto esse: as políticas públicas; a implementação das políticas; a organização das escolas; a liderança por parte de algum membro da comunidade; a formação de professores. Quando o tema é software livre, entendo que esses mesmos fatores estão presentes e precisamos pensar sobre eles.

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  2. Iris, lendo seu texto fiquei a pensar na minha trajetória e na forma como as tecnologias digitais chegaram para mim de forma semelhante a desta professora. Corroboro com Prof. Bonilla: é preciso que o professor seja levado para além do contato com a tecnologia. Por isso, o aprendizado nessa disciplina é tão precioso para mim. Abraços

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