domingo, 5 de maio de 2019

Tecnologia Assistiva e estudantes das instituições de ensino superior

Ao me deparar com a temática dessa semana "Tecnologia Assistiva" nos textos de Galvão Filho (2013) e Bersch (2017), passei a fazer algumas reflexões sobre com essas tecnologias estão presentes no cotidiano, mas que pouco paramos para discutir sobre a importância delas para pessoas com deficiência no ambiente acadêmico. Parto da realidade da minha formação profissional como psicóloga, pois embora seja uma profissão que preza pela empatia, respeito as diversidades e as diferenças, em apenas uma disciplina da graduação tive a oportunidade de conhecer e discutir um pouco das leis que regem os direitos das pessoas com deficiência.
Após a leitura dos textos, lembrei que no período da graduação tinha uma colega com baixa visão. Não lembro exatamente o nome da sua enfermidade, mas recordo que tratava-se de um problema congênito e que gradativamente perderia totalmente a visão. Então, atentando para a realidade dela, percebia a sua dificuldade em acompanhar as aulas, no sentido que costumava fazer anotações, no entanto, como não enxergava tão bem, passava a maior parte das aulas com o rosto praticamente debruçado sobre o caderno para escrever. Por conta disso, um professor por não ter notado seu problema, fez um comentário inconveniente sobre sua postura: "Porque você fica com o rosto colado no caderno? Por um acaso você é cega?"
Ela não teve reação para responder sua pergunta porque foi constrangedor para nós, imagina para ela. Então, os colegas explicaram para ele sobre sua deficiência e aparentemente envergonhado pediu desculpas.
Ela costumava usar as ferramentas de facilidade de acesso (lupa e narrador) presentes no computador, para ajudar nos seus estudos, mas somente em casa ou no laboratório de informática da universidade, já que naquele tempo, apenas que tinha alto poder aquisitivo poderia ter um notebook, pois era muito caro. Além disso, a colega sempre enfrentava problemas em dias de prova, pois praticamente todos os professores e a coordenação do curso esqueciam que sua prova deveria ser em tamanho ampliado, então, ela sempre fazia as provas com certo atraso. Mas apesar de todas essas situações, ela sempre foi uma das melhores alunas da turma.
Possivelmente se tivesse acesso a informação a legislação da TA, poderia ter tido um melhor suporte em sala de aula, não apenas ela, mas também, a própria universidade que embora oferecesse todo aparato possível para os alunos, deixou a desejar na assistência das pessoas com deficiência. Situação destacada por Bersch (2017) sobre a importância de se obter uma orientação pública mais acessível que reúna informações necessárias para que as pessoas com deficiência reivindique seus direitos ao acesso a TA. A autora destaca também a importância de fiscalizar e pressionar o governo para que a lei seja cumprida, no entanto, o texto é de 2017. Atualmente, Bolsonaro extinguiu o CONADE ( Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência) enfraquecendo ainda mais as políticas públicas destinadas a este referido público, representando mais um dos retrocessos para as minorias, por retirar o direito a participação da sociedade civil.

https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-extingue-o-conselho-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia/

Certamente ações desse governo terá impacto na questão do direito a TA, que já tão pouco difundido. Desse forma, o CONADE tem buscado apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para que o CONADE não seja definitivamente extinto.

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/conade-pede-apoio-da-cdhm-para-impedir-extincao-de-conselhos-proposta-pelo-governo

Apesar da tentativa do governo em retirar os direitos das pessoas com deficiência, não se pode desconsiderar que estes têm um histórico de luta na busca por reconhecimento de direitos, na luta por espaços e visibilidade na sociedade. Não será agora após tantas conquistas que vão recuar. O direito ao acesso a TA e sua divulgação mais ampla, é uma causa a mais a ser reivindicada e exigida pelo governo.

Sobre a colega da época da graduação, atualmente está cursando o mestrado no Programa de Psicologia na UFBA, com mais acessibilidade por já ter um notebook que tem facilitado seus estudos. Segue tendo a serenidade e o bom desempenho de sempre.






2 comentários:

  1. Com a Lei 13.146, de 06 de julho de 2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)-
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm - as universidades passaram a organizar seus núcleos de atendimento. Na UFBA temos o NAPE - http://www.napeacessivel.ufba.br/ - que dá apoio aos alunos e aos professores para a produção de materiais acessíveis. Vale dar uma olhada, para compreender como funciona.
    Agora, é uma calamidade o que o governo está fazendo com a retirada dos direitos da população, em todas as áreas!!!

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  2. Não conhecia esses núcleos!

    É verdade, Bonilla! Todo dia um retrocesso diferente!

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