segunda-feira, 3 de junho de 2019

Inclusão e letramento digital para idosos da periferia: uma perspectiva inexistente

Escrever uma reação sobre a questão da inclusão digital e letramento, para mim, foi a mais difícil até o momento. Ao terminar a leitura dos textos, a impressão que tive é que não tinha o que dizer sobre as temáticas em questão, é como se faltasse ideias e palavras e não tenho uma explicação plausível para entender o que aconteceu. Talvez porque não lide diariamente com os assuntos por ser de outra área, mas aí eu pensei: não...não é isso porque até aqui não tive dificuldades extremas para acompanhar a disciplina. Ou talvez, por exigir de mim uma reflexão mais profunda sobre questões que acontecem diariamente no contexto que faço parte, enfim, apenas suposições...
Como já falei na reação anterior, moro em bairro periférico (cidade baixa), e como me desloco constantemente da periferia para o centro, percebo diferenças nos hábitos das pessoas no que diz respeito ao acesso as tecnologias digitais, principalmente quando se trata de idosos. 
Nos bancos aqui da região, por exemplo, os caixas eletrônicos costumam ficar vazios porque é notório que eles não sabem utilizá-los, enquanto na boca do caixa, formam filas imensas para serem atendidas, inclusive antes dos bancos abrirem.
Um outra questão, é a permanência das lan houses. Locais que há uns dez anos mais ou menos, era possível encontrar em cada esquina da cidade, há quem acredite que elas foram extintas, mas não é verdade. Por aqui, ainda tem algumas e são locais que oferecem vários tipos de  serviços como consulta ao SPC, segunda via de contas, acesso à internet para outras finalidades, acesso a jogos etc. São locais que costumam ficar cheios e isso deixa claro que a falta de conhecimento levam esses idosos a procurarem esses locais porque embora alguns possuam celular, mas o máximo que conseguem utilizar é a mensagem de áudio aplicativo Whatsapp. Na rua onde resido, sou uma das poucas pessoas que tem computador (desktop) notebook etc. Por conta disso, alguns vizinhos idosos me procuram para pedir diversos favores ( acompanhar requerimentos do INSS, do SUS, segunda via  de contas etc.) porque não tem dinheiro para ir a uma lan house.
Então, fiquei pensando sobre a importância da informatização das diversas instituições públicas e privadas pela facilidade de acesso aos serviços prestados por elas, através do uso de sites e aplicativos, mas em contrapartida, percebo o quanto os idosos das periferias acabam ficando às margens devido as dificuldades de acesso e do pouco conhecimento envolvendo as tecnologias digitais.Infelizmente pouco tem sido feito, ao que parece não há interesse do Estado em mudar essa realidade. Tal situação apenas retrata o quanto os idosos são historicamente marginalizados no nosso país, esse quadro ainda piora quando se trata da inserção das tecnologias digitais no seu cotidiano 
Embora algumas instituições filantrópicas como a LBV, por exemplo, ofereçam cursos de informática para idosos, não contempla a proposta de uma "inclusão digital" propriamente dita como é trazido por Bonilla e Oliveira (2011). Para os autores, a perspectiva da inclusão digital deve transcender a ideia de um treinamento sobre como utilizar recursos tecnológicos digitais, mas favorecer condições para que as pessoas sejam capazes de compreender a lógica digital  para que possam participar, produzir, questionar e transformar suas respectivas realidades. Do modo semelhante, o letramento digital consiste em uma série de fatores onde o sujeito seja capaz de adquirir, produzir e compartilhar conhecimentos no contexto que está inserido, compreendendo que letramento digital é muito mais do que ler e/ou escrever nas telas (SABILLÓN e BONILLA, 2016), obviamente não existe idade para que isso aconteça...




Um comentário:

  1. A questão da relação dos grupos etários com as tecnologias é antiga. Sempre se acreditou que tecnologia era tema para jovens, que os idosos não tinham condições de usá-las, chegando, inclusive, a serem classificados, por Prensky, como nativos digitais (os jovens) e migrantes digitais (os adultos e idosos), com um rol de características de cada grupo. Ainda bem que superamos essa visão, e hoje podemos perceber que os problemas são de ordem econômica, social e cultural e não geracional. Descobrimos que os jovens não são tão nativos assim e que os idosos não são tão migrantes... Necessitamos compreender a sociedade em que se inserem para compreender a relação que estabelecem com as tecnologias. E teu relato evidencia justamente isso...

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